Gosto de sair e ficar observando as pessoas e suas reações. É muito claro, pelo menos aos meus olhos, que muitas vezes exageramos. Exageramos quando colocamos o som muito alto no carro, desrespeitando as outras pessoas que não querem escutar aquela música (diga-se de passagem, que a maioria das músicas são extremamente bregas,mas dançamos e escutamos: ou rimam amor com dor ou chão com popozão). Ultrapassamos o limite da razão quando acreditamos fanaticamente em algo: time de futebol, crenças religiosas, política, endeusamento de seres humanos que estão na mídia... Caímos na futilidade quando colecionamos em nosso corpo as intervenções cirúrgicas, ou em nossa mente, o desejo de sermos diferentes do que somos. Exemplo máximo: Maicon Jackson. Tudo em exagero não é saudável, a bebida, a comida, o sexo... Eu me pergunto, por que fazemos isto? Não tenho dúvidas, exageramos porque somos extremamente carentes e inseguros em algum outro aspecto.
Nós, seres humanos temos a necessidade de sentirmos úteis, admirados. Todo mundo tem um caso para contar que vai se sentir o máximo: ganhei três campeonatos seguidos com o time da escola, namorei duas garotas ao mesmo tempo, passei no vestibular sem fazer cursinho, meu filho é o mais bonito da escola, meu alqueire de terra é o que mais produz na região... Todos nós temos algo que nos faz sentir especial, algo digno de admiração ou, no mínimo, algo que renda um caso de quinze minutos. Eu me sinto o máximo quando conto que sai da faculdade e passei com a segunda maior pontuação em um concurso para engenheiro civil entre 1200 inscritos. Contamos nossas proezas, algo de destaque, porque não queremos ser o patinho feio da sociedade. O problema é que, nem sempre, conseguimos apresentar este nosso lado digno de admiração. A sociedade hoje está cada vez mais distanciando os homens. Estamos distantes quando, trocamos a conversa na rua pela companhia silenciosa da novela. Vibramos com as conquistas do personagem fictício da novela, personagem que possui um padrão de beleza, inteligência e esperteza, que, no mínimo, 98% da população não atingiremos. Esquecemos de vibrar com nossas pequenas conquistas, mas que são nossas e frutos do nosso suor.
E os bailes hoje: ninguém enxerga, ninguém ouve, ninguém fala. Impossível uma conversa em um local com o som tão alto, ou ver o salão em meio a tanta fumaça. Não conseguimos mais o respeito e a admiração que necessitamos pela troca de olhares, pelos passos corretos durante a dança, pela elegância nos gestos. Começamos a nos exibir pelo corpo. Grifes passam a ser artigo essencial no guarda-roupa. Afinal, precisamos mostrar que somos bem-sucedidos pela quantidade de etiquetas. Nós, mulheres, colocamos a saia cada vez menor, ninguém vai me admirar se não for pelos palmos de coxas descobertas. Antes brilhavam os olhos com alegria, era mais natural, hoje brilham as roupas. Não olhamos mais nos olhos.
Em caso de jogo de futebol, sempre tem um mais exagerado, um que vai quebrar um copo, dar um grito e um pulo desproporcional. Queremos mostrar que amamos o time mais que qualquer coisa. Realmente acredito nisto, pois não nos amamos.
Isto, sem dúvidas, me deixa triste. Por que mesmo com tudo isto observado, não deixo o computador e vou à procura de alguém para conversar? Não tenho tempo para isto, preciso apresentar um bom trabalho para meu chefe, ganhar uma promoção e comprar uma bolsa Prada.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
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