Passei uma vida inteira procurando por uma vida perfeita. Procurei pessoas perfeitas e me decepcionei com seus erros e suas limitações; procurei por um emprego perfeito e encontrei apenas problemas e desilusões; procurei por uma cidade perfeita e apenas enxerguei os erros dos políticos na administração e as fofocas dos vizinhos; procurei um filme perfeito, uma festa perfeita, uma música perfeita...
Em local e em pessoa nenhuma encontrei uma perfeição permanente, isto me causou muita tristeza. Descobri que a perfeição só aparece em sua totalidade em duas situações: a primeira é quando olho para Deus (em sua forma que foi humana ou não) e a segunda quando abro o dicionário.
Na primeira análise isto foi triste, agonizante (e porque não dizer decepcionante?). Acreditava que, somente seria feliz se eu encontrasse a vida perfeita. Minha vontade inicial era de pedir a Deus para sair deste mundo imperfeito e ir ao encontro d`Ele, espaço fechado para os erros e frustrações, um local perfeito.
De tanto procurar, encontro o fundamento de todas as imperfeições: eu! Assim, enxergo-me como imperfeita. Chego a conclusão que a origem de todas as decepções está em mim e não no mundo e nas pessoas que estão no mundo.
Aceitar minhas próprias limitações e defeitos é o primeiro passo para aproximar-me de algo perfeito. O início de uma nova busca pela perfeição em minha vida é traçado em linhas imperfeitas. É esboçado a partir das linhas das minhas imperfeições, dos meus erros. Aceitar que o mundo (inclusive eu!) é um local limitado, abre-me os olhos para enxergar a perfeição (ou algo próximo a ela) nos pequenos detalhes. Os detalhes belos podem estar próximos da perfeição, ao contrário do todo, onde sempre encontrarei algum defeito quando a análise é completa. Estou descobrindo a necessidade de olhar a Vida com o olhar de quem ama.
Quando amei (certo homem me ensinou o que é amar), fiquei imune diante de suas imperfeições. Era como se os seus defeitos não existissem, pois apreciava apenas suas qualidades. Por algum tempo acreditei que tivesse encontrado um homem perfeito, mas com a convivência suas imperfeições tornaram-se evidentes, e ele me ensinou a aceitá-lo com suas limitações e seus erros. Aprendi a amar. E o amor é diferente da paixão (paixão tem a mesma origem da palavra patologia, pathos, que quer dizer doença, desvio, sofrimento). As vezes que apaixonei fui “cega” diante das imperfeições do ser desejado, enquanto o amor permitiu-me enxergar de modo consciente as imperfeições do outro ser e, mesmo assim, continuei amando. Descobri que é necessário aceitar as imperfeições. O amado entrou de férias em minha vida, mas seus ensinamentos práticos do bem-viver tornaram-se presença constante.
Enfim, estou descobrindo que a perfeição da vida e a alegria em viver estão nos meus olhos, no meu interior. Quanto às imperfeições, elas sempre existirão. Aprendi que não devo ignorá-las, mas aceitá-las. Elas me dão a certeza de não ser um deus ou uma teoria no papel. Se eu aprender a apreciar apenas o que é belo (os pequenos detalhes mais próximos da perfeição) aprenderei a arte de ser feliz! Amar a vida, desta maneira, admirar o belo e aceitar as limitações, acho que esta é a receita para enxergar a vida como perfeita e encontrar a tão sonhada felicidade!
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