terça-feira, 17 de novembro de 2009
Bolsa Prada
Nós, seres humanos temos a necessidade de sentirmos úteis, admirados. Todo mundo tem um caso para contar que vai se sentir o máximo: ganhei três campeonatos seguidos com o time da escola, namorei duas garotas ao mesmo tempo, passei no vestibular sem fazer cursinho, meu filho é o mais bonito da escola, meu alqueire de terra é o que mais produz na região... Todos nós temos algo que nos faz sentir especial, algo digno de admiração ou, no mínimo, algo que renda um caso de quinze minutos. Eu me sinto o máximo quando conto que sai da faculdade e passei com a segunda maior pontuação em um concurso para engenheiro civil entre 1200 inscritos. Contamos nossas proezas, algo de destaque, porque não queremos ser o patinho feio da sociedade. O problema é que, nem sempre, conseguimos apresentar este nosso lado digno de admiração. A sociedade hoje está cada vez mais distanciando os homens. Estamos distantes quando, trocamos a conversa na rua pela companhia silenciosa da novela. Vibramos com as conquistas do personagem fictício da novela, personagem que possui um padrão de beleza, inteligência e esperteza, que, no mínimo, 98% da população não atingiremos. Esquecemos de vibrar com nossas pequenas conquistas, mas que são nossas e frutos do nosso suor.
E os bailes hoje: ninguém enxerga, ninguém ouve, ninguém fala. Impossível uma conversa em um local com o som tão alto, ou ver o salão em meio a tanta fumaça. Não conseguimos mais o respeito e a admiração que necessitamos pela troca de olhares, pelos passos corretos durante a dança, pela elegância nos gestos. Começamos a nos exibir pelo corpo. Grifes passam a ser artigo essencial no guarda-roupa. Afinal, precisamos mostrar que somos bem-sucedidos pela quantidade de etiquetas. Nós, mulheres, colocamos a saia cada vez menor, ninguém vai me admirar se não for pelos palmos de coxas descobertas. Antes brilhavam os olhos com alegria, era mais natural, hoje brilham as roupas. Não olhamos mais nos olhos.
Em caso de jogo de futebol, sempre tem um mais exagerado, um que vai quebrar um copo, dar um grito e um pulo desproporcional. Queremos mostrar que amamos o time mais que qualquer coisa. Realmente acredito nisto, pois não nos amamos.
Isto, sem dúvidas, me deixa triste. Por que mesmo com tudo isto observado, não deixo o computador e vou à procura de alguém para conversar? Não tenho tempo para isto, preciso apresentar um bom trabalho para meu chefe, ganhar uma promoção e comprar uma bolsa Prada.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Universo Masculino
Somos inflexíveis para assistir ao jogo de futebol, simplesmente dizemos que não gostamos. E Formula 1, chega a ser o maior desrespeito com a natureza feminina. Não jogamos sinuca, vídeo game, não corremos de kart e não fazemos o menor esforço para aprender. Esquecemos que este é o universo masculino. Esquecemos que os interesses são distintos, apenas cobramos que eles mudem, mas nós não mudamos em nada.
Eu trabalho com muitos homens, sou engenheira civil, para ser agradável torna-se necessário saber um pouco de futebol. Foi assim que resolvi começar a assistir aos jogos e conhecer o Brasileirão. Não sabia que é tão interessante o futebol! Primeiro, tem muito homem, o que já é um bom começo. Depois tem muito jogador de futebol que não é de se jogar fora, muito menos suas coxas (e que coxas!). Acompanhar o campeonato é um ótimo começo para uma paquera. Quando digo que sou Flamenguista, outro Flamenguista solteiro já se aproxima. Torcer pelo mesmo time funciona como referência de caráter. Quando torço por time diferente o cara vai querer convencer que o time dele é o melhor, vai querer se exibir. O homem gosta da tarefa da conquista. Elogiar o jogador de futebol, outro homem, deixa o gatinho inseguro. Ponto para a mulher: quinze minutos de atenção garantidos. Tem homem que sai com cachorro porque as mulheres param para brincar com o bichinho. Falar de futebol, sem dúvidas, atrai os olhares masculinos.
Por gostar tanto de homem quero conhecer todo seu universo, entendê-los. No fundo acredito que os homens são crianças crescidas, gostam de brincar de carrinho e vídeo game. A única diferença que depois de crescido a brincadeira fica cada vez mais cara, o vídeo game agora é descrito como mais complexo e o ingresso da Formula 1 vai precisar da ajuda do cartão de crédito. Mas é uma ótima maneira de nós, mulheres, exercermos o nosso lado maternal e cuidar destes maravilhosos moleques crescidos...
Sobre a Perfeição
Passei uma vida inteira procurando por uma vida perfeita. Procurei pessoas perfeitas e me decepcionei com seus erros e suas limitações; procurei por um emprego perfeito e encontrei apenas problemas e desilusões; procurei por uma cidade perfeita e apenas enxerguei os erros dos políticos na administração e as fofocas dos vizinhos; procurei um filme perfeito, uma festa perfeita, uma música perfeita...
Em local e em pessoa nenhuma encontrei uma perfeição permanente, isto me causou muita tristeza. Descobri que a perfeição só aparece em sua totalidade em duas situações: a primeira é quando olho para Deus (em sua forma que foi humana ou não) e a segunda quando abro o dicionário.
Na primeira análise isto foi triste, agonizante (e porque não dizer decepcionante?). Acreditava que, somente seria feliz se eu encontrasse a vida perfeita. Minha vontade inicial era de pedir a Deus para sair deste mundo imperfeito e ir ao encontro d`Ele, espaço fechado para os erros e frustrações, um local perfeito.
De tanto procurar, encontro o fundamento de todas as imperfeições: eu! Assim, enxergo-me como imperfeita. Chego a conclusão que a origem de todas as decepções está em mim e não no mundo e nas pessoas que estão no mundo.
Aceitar minhas próprias limitações e defeitos é o primeiro passo para aproximar-me de algo perfeito. O início de uma nova busca pela perfeição em minha vida é traçado em linhas imperfeitas. É esboçado a partir das linhas das minhas imperfeições, dos meus erros. Aceitar que o mundo (inclusive eu!) é um local limitado, abre-me os olhos para enxergar a perfeição (ou algo próximo a ela) nos pequenos detalhes. Os detalhes belos podem estar próximos da perfeição, ao contrário do todo, onde sempre encontrarei algum defeito quando a análise é completa. Estou descobrindo a necessidade de olhar a Vida com o olhar de quem ama.
Quando amei (certo homem me ensinou o que é amar), fiquei imune diante de suas imperfeições. Era como se os seus defeitos não existissem, pois apreciava apenas suas qualidades. Por algum tempo acreditei que tivesse encontrado um homem perfeito, mas com a convivência suas imperfeições tornaram-se evidentes, e ele me ensinou a aceitá-lo com suas limitações e seus erros. Aprendi a amar. E o amor é diferente da paixão (paixão tem a mesma origem da palavra patologia, pathos, que quer dizer doença, desvio, sofrimento). As vezes que apaixonei fui “cega” diante das imperfeições do ser desejado, enquanto o amor permitiu-me enxergar de modo consciente as imperfeições do outro ser e, mesmo assim, continuei amando. Descobri que é necessário aceitar as imperfeições. O amado entrou de férias em minha vida, mas seus ensinamentos práticos do bem-viver tornaram-se presença constante.
Enfim, estou descobrindo que a perfeição da vida e a alegria em viver estão nos meus olhos, no meu interior. Quanto às imperfeições, elas sempre existirão. Aprendi que não devo ignorá-las, mas aceitá-las. Elas me dão a certeza de não ser um deus ou uma teoria no papel. Se eu aprender a apreciar apenas o que é belo (os pequenos detalhes mais próximos da perfeição) aprenderei a arte de ser feliz! Amar a vida, desta maneira, admirar o belo e aceitar as limitações, acho que esta é a receita para enxergar a vida como perfeita e encontrar a tão sonhada felicidade!