É claro que eu queria ser bela como Deborah Seco e sexy como a Juliana Paes. Nenhuma mulher é louca de dizer o contrário. Do mesmo modo, ninguém dirá que não gostaria de ter a fortuna do Eike Batista. (Fico imaginando o nível dos respectivos pares). Mas e eu, assim como a maioria das mulheres, que não tenho o padrão “Deborah Paes” de qualidade? Será que por conta dos quilos a mais serei sujeita a eterna infelicidade e nunca terei alguém para amar? Será que por causa dos traços mais fortes da imperfeição nunca sairei de casa e atrairei os olhares e os desejos do sexo oposto? Minha resposta é não e, diga-se de passagem, não tenho a menor dúvida disto!
Alguns anos atrás a mulher tinha grande dificuldade em ser “algo a mais” que mãe-dona-de-casa ou professora. Não estou dizendo que estas duas funções são menos importantes, na verdade, acredito que são as duas mais importantes na formação de qualquer ser humano digno. Porém, se a mulher queria algum reconhecimento extra, era preciso vencer os concursos de beleza. Enquanto isto, os homens conseguiam atingir seus objetivos pessoais sem a utilização da beleza física. Acredito ser este o motivo das mulheres serem muito mais vaidosas que os homens.
Deve ser muito gratificante ser miss, mas não é pré-requisito para ser feliz. Eu possuo uma beleza “normal” nunca conseguirei ser destaque apenas utilizando o físico. Isto não me deixa infeliz, pois tenho que a certeza que conseguirei o “algo a mais” utilizando a capacidade de pensar e ser agradável.
Mas qual é o fundamento das inúmeras preocupações com a estética? O problema é que a sociedade ainda apresenta a tradição antiga (mesmo inconsciente) que, quando a mulher quer o reconhecimento ou uma condição financeira melhor, tem que ser bela. (As belas ganham algum concurso de beleza e tem maiores chances de casar com um homem rico). Ainda acreditamos que, para ser admirada, amada, precisamos ser belas e magras, uma Barbie. Nós mulheres, vivemos uma busca irracional e incansável pela beleza, uma não aceitação das gordurinhas, das rugas, dos cabelos rebeldes, dos olhos e cabelos castanhos... Não acreditamos que nossa capacidade está além da beleza física.
Tenho a certeza que não posso mudar o mundo, apenas posso mudar o meu mundo, a minha maneira reagir com o espelho. Quando olho no espelho minhas gordurinhas elas não mais são vistas como um desvio de conduta ou um atestado de “eterna gorda infeliz”, muito pelo contrário, retratam minha conduta de ser trabalhadora da mente, de ser alguém que acredita que tem um “algo a mais” além do físico. Ao contrário de muitos, posso usar a paródia sem a menor dúvida: “Quem me conhece me compra!”.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
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Sofia "Maria Moreira"!! Complemente muito bem a crônica GORDA! rs
ResponderExcluirLembro das aulas de matemática, com certeza e nunca esqueço de você que ainda é uma das pessoas mais inteligentes que conheci. E melhor! Agora, que se tornou uma mulher, sabe usar da inteligência não só para cálculos, mas... para dar mais graça à sua vida e à vida dos que te cercam!! "Quem te conhece, com certeza, te compra!!"
Abraços saudosos, minha amiga!
Débora Andrade